sábado, 25 de setembro de 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
Em contramão

sábado, 5 de junho de 2010
Capítulo I
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Era uma vez uma menina que queria crescer rápido. Tão rápido que sempre corria na frente do tempo, pensando enganar o relógio. Era apressada, comia antes que todos, sabia de véspera o que vestir e não aceitava novidades, pois não gostava de surpresas nem para descobrir o que tinha dentro do pacote. Sonhava com as coisas da vida adulta. Diariamente se via moça feita. Não conseguia decidir entre duas coisas, pois queria uma terceira, a de menina crescida. Quando a vida adulta demorava para acontecer, ela enganava o destino e corria atrás do tempo que julgava perdido. De tão apressada vivia de joelho roxo mas não perdia um minuto nem pensando no que havia acontecido. Nem pensando. E acelerou tudo. Acelerou tanto, que quando olhou para trás, estava sozinha. Ninguém conseguia acompanhar seus passos apressados. E ficou esperando alguém chegar, e ninguém apareceu. Só o tempo. Logo esse de quem tanto fugiu, foi quem a encontrou sentada esperando alguma coisa. E o tempo se revoltou com a menina, e inventou um castigo. Profetizou que dali para frente, ele iria enganá-la. É que ela não gostava de ser menina, e o tempo não entendia. Ela comprou relógios e passou a fazer vigília na tentativa de despistar o tempo, que não cansava de pegar no seu pé. Um dia, desavisada, cresceu e nem percebeu, pois estava muito preocupada em despistar o tempo. E foi quando cresceu de fato é que deu-se conta que andou sempre sozinha. E foi quando o tempo apareceu de novo, vitorioso não precisou falar nada: calou-se. O castigo havia funcionado. Ela entendeu. Entendeu que o tempo passara muito depressa, e que nunca o deveria subestimar. O tempo foi o único, que silencioso, sempre esteve ao seu lado. Foi o único a adorar sua companhia, e o único que ela desprezou. E foi daí então que ela decidiu cativar o tempo... para tentar ser menina só mais uma vez.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Re-trato
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Síndrome do Masoquismo Secundário

Não é primário porque eu já não cozinho em primeira fervura. É masoquismo porque tem elementos de ódio de mim mesma, projetados em ações inconscientes que ocasionam mal estar. É síndrome pois não tem cura. Se é genético não sei, há indícios- sendo síndrome -com certeza. Minha mãe não usou entorpecentes na gravidêz. Esta patologia gera danos psíquicos e fisiológicos, podendo chegar ao auto flagelo. Não é perceptível no contato social superficial cotidiano, mas amigos próximos e familiares já conseguem perceber manifestações da doença.
É crônico. Pode ser controlado com doses de tequila, mas pode ser triplicado com excesso dessas doses. Champagne é mortal e impulsiona novas crises. Pode ser fatal. Não pode ser controlado com remédios. A redução dos sintomas acontece na medida em que há isolamento social, ou seja, redução das variáveis. As situações de auto punição são as mais diversificadas possíveis, variam de uma leve auto rejeição até uma repulsa total de si mesmo. Se alguém souber a cura me avisa. Não é punição clichê por culpa, pois não são coisas relacionadas à moral, regras, lei ou ética, o que geralmente se rompidas, geram culpa. Aliás, tudo dá vida à culpa. Menos minha síndrome. Quando coisas felizes acontecem, a síndrome ganha força e empurra para um pessimismo agudo e uma idéia de que o mundo vai acabar, sendo seguido de atos de auto flagelo, mencionados anteriormente. O mundo vai acabar mesmo, os Maias já sabiam.
Cafeína alivia sintomas. Duas xícaras apenas. Não tem relação ou vinculação com conotações de libido ou impulso sexual. Nada a ver. Vou escrever uma tese sobre isso. Face book é um sintoma forte de masoquismo secundário. Cuidado. Reconhecer a doença é o primeiro passo para o tratamento.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Lampejos
domingo, 30 de agosto de 2009
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Miragem

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terça-feira, 25 de agosto de 2009
Toxidade Transgeracional Sistemática

É difícil saber exatamente como ocorre nossa criação, formação, constituição psicológica enquanto seres pensantes que somos. Mesmo no decorrer da criação, já é óbvio que não somos apenas nós, mas reflexo do outro, seja este outro quem for. Quando são os pais biológicos, além do componente genético, a força desta impressão é infinitamente maior do que de outros cuidadores, mesclados entre família biológica ou não (tenho como comprovar estatisticamente essa tese, meu N é imenso). Além de não sermos nada perante o universo, ainda somos obrigados a ser o que sobrou do que podemos ser; a forma da impressão do outro e nada mais. Nossa cognição se acomoda com o que nos é depositado, e após uma certa idade, começamos a fazer associações, compreensões mais complexas, até a formação de nossa personalidade. Se nossa personalidade é fruto das impressões alheias (como a análise, parte do ponto de vista do analista) somos as frustrações do outro igualmente. Essa falta do outro, no outro, é traduzida em nossa vivência como anseios -nas famílias mais ajustadas, para não determo-nos em traumas e violência-, nos colocando em uma posição de difícil controle, pois já raciocinamos assim. Difícil ser autêntico neste sentido. Não são coincidências as semelhanças. Feliz de quem vive com isso muito bem obrigada, considerando este estado psicológico bem resolvido, vivendo o dia a dia, sem ao menos conseguir distinguir a si mesmo de sua invariada pseudo-autenticidade (talvez a toxidade tenha níveis); mas não se engane com o vazio que porventura surgir (às vezes vem disfarçado de sonhos), ele lateja como um sinal primitivo que traduz os instintos primordiais, esses que não pensamos muito, só sentimos e aí você vai se deparar com a ambivalência de quem é você afinal ou com uma agonia sem nome, mas ela tem nome e sobrenome também. Não tenha medo de desapontar papai e mamãe (ou as figuras que os substituíram), não se engane e seja magnânimo, dentro do possível já que fomos programados para não termos livre arbítrio (e não temos). Avós, bisavós, a por aí vai a árvore, fazem parte do time. E a culpa não é só da mãe. Felizes os primatas, hominídios e seres primitivos, pois tenha certeza, nada pode ser pior que a toxidade alheia, essa toxidade que nos empurra sei lá pra onde, sem ao menos ter sentido no depositário, sendo ela uma angústia do outro, um desejo do outro e não uma verdadeira obra prima de amor incondicional inexistente até por Deus (ele vigia também não é? Ele?). Bombardeios a parte, dos sonhos dos meus outros eu já sei, das angústias um pouco só, algumas delas ainda são um mistério, a pista é como eu fui elaborada, e a resposta está bem aí. Sinto não poder corrigir em mim essas angústias que não me pertencem, e sinto pelos outros também, pois as angústias vêm disfarçadas de bons conselhos. E se conselho fosse bom... Bom, isso todo mundo já sabe.
“Como vemos, o que decide o propósito da vida é simplesmente o programa do princípio do prazer. Esse princípio domina o funcionamento do aparelho psíquico desde o início. Não pode haver dúvida sobre sua eficácia, ainda que o seu programa se encontre em desacordo com o mundo inteiro, tanto com o macrocosmo quanto com o microcosmo. Não há possibilidade alguma de ele ser executado; todas as normas do universo são-lhe contrárias. Ficamos inclinados a dizer que a intenção de que o homem seja ‘feliz’ não se acha incluída no plano da ‘Criação’. O que chamamos de felicidade no sentido mais restrito provém da satisfação (de preferência, repentina) de necessidades represadas em alto grau, sendo, por sua natureza, possível apenas como uma manifestação episódica. Quando qualquer situação desejada pelo princípio do prazer se prolonga, ela produz tão-somente um sentimento de contentamento muito tênue. Somos feitos de modo a só podermos derivar prazer intenso de um contraste, e muito pouco de um determinado estado de coisas.” Freud- Mal Estar na Civilização.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
A Tal da Coisa

“Duas coisas enchem o ânimo de crescente admiração e respeito, veneração sempre renovada quanto com mais freqüência e aplicação delas se ocupa a reflexão: por sobre mim o céu estrelado; em mim a lei moral. Ambas essas coisas não tenho necessidade de buscá-las e simplesmente supô-las como se fossem envoltas de obscuridade ou se encontrassem no domínio do transcendente, fora do meu horizonte; vejo-as diante de mim, coadunando-as de imediato com a consciência de minha existência. O primeiro, espetáculo de uma inumerável multidão de mundos, que aniquila, por assim dizer, a minha importância como criatura animal que tem que devolver ao planeta (um mero ponto no universo) a matéria de que foi feito depois de ter sido dotado (não se sabe como) por um curto tempo, de força vital. O segundo, por outro lado, realça infinitamente o meu valor como inteligência por meio de minha personalidade, na qual a lei moral me revela uma vida independente da animalidade e também de todo o mundo sensível, pelo menos enquanto se possa inferir da determinação consoante a um fim que recebe a minha existência por meio dessa lei que não está limitada a condições e limites desta vida, mas, pelo contrário, vai ao infinito.” (Emanuel Kant)
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Chove em mim

Desliza, chove em mim sem tormenta, pois se te revoltas me amedronta, e me perdes por inteira. Vem serena, me dissolve, vem me molhar.
Escorre em meus vazios, me ajuda a te sentir, te admirar, cai e levanta. Volta ao mesmo lugar. Sei que vais embora (vais me deixar assim que raiar). Mas sei que pressentes minha correnteza, e mesmo sem pedir, irás retornar.
Suplico que não grites alto teu poder, não mostra nessa luz tua majestosa agonia. Saibas suportar minhas dores, pois também me embalas quando estou em teu colo, no teu porto estável, se desencontrada.
E fica assim, na casa que criaste para tua eterna morada, onde vês teus filhos te renegarem. Não seca. Aceita, como uma mãe deve converter suas lágrimas para o seu fortalecimento, e oferece ao firmamento teu choro em vida, que vida em choro já é morte, ou implacável sofrimento
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Toca Raul!

domingo, 16 de agosto de 2009
Grêmio e Chocolate
Ouvindo o jogo do Grêmio hoje contra o Flamengo, goleada diga-se de passagem, com defesas espetaculares de nome Vítor, não negamos, lembrei dos gols de quando era criança, da vibração que sentia cada vez que a bola encontrava o fundo da rede e com o barulho de abrir uma barra de chocolate. Gritava em frente à televisão na sala lá de casa, sem ao menos saber de que era feito o futebol (o chocolate eu sabia), mas com uma camisetinha azul listrada, estufava o peito e repetia “Gooooool do Baltazar”. E isso com a boca e as mãos recheadas de chocolate.
Doces lembranças estas. Mais doces que o sabor do chocolate. Hoje senti falta desse sabor. E Bebeto, me perdoa...
"Hei, hei, Flamengão... não bate nessa bola com desprezo, toca nela com razão..."
Mas hoje não.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
E pelo caminho... Ficas

"E o Vento Levou"
Em uma mudança a gente vai perdendo tanta coisa pelo caminho, tanta coisa se quebra, tanta coisa que não se acha mais, copos, panelas, toalhas, cristais. Quebrei minha cara mais de uma vez em uma dessas mudanças, perdi minha vontade de saber mais da vida, não achei minhas indagações, não encontrei meu caminho. Em uma mudança, muita coisa fica para trás, em gavetas antigas, em lixos desconhecidos, em sótãos abandonados. Nunca mais consegui recuperar as coisas que perdi nessas mudanças, por sorte encontrei outras, que não substituem às que perdi, mas que de alguma forma me lembraram que nada pode ser permanente nem ao menos sobreviver a grandes cargas, descobri o desapego. Sobrevivi a isso, mas com certeza essa colher de pau nova que comprei não é melhor que a minha antiga, aonde estão meus copos? Aonde foi parar meu senso de humor? Mas um grande consolo existe ao saber que só com o tempo -e sem revirar lixos para achar alguns caquinhos- essas coisas novas também vão fazer parte mim. Pelo menos até a próxima mudança.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Chove Chuva?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Coelhos de Marzipã
Assim sendo, não quero mais entender qualquer lógica que me prenda em uma confusão dos diabos aqui nessa existência, são feitos assim, os marzipãs que ganhava de Páscoa quando criança...
Com os dias se esfarelavam, pois temia comer os coelhinhos... O aroma de baunilha que exalavam permanecia intacto, mas não podiam mais ser comidos. Sinto que vou me dissolver, me perder na minha própria identidade, que criei nem sei como, assistindo umas guerras ali, outras aqui dentro.
Não pode ser tão exato assim, preencher os vazios de alguma forma, mas sem a consistência que possa segurar essas bolhas de sabão que insistem em voar dando a sensação de sala cheia, colorida, mas explodem com um pequeno sopro.
Espero, espero, espero... espero que alguém me diga algo que faça algum sentido, que não mais os mesmos consolos de sempre, cansa demais isso tudo. Ainda tenho medo de ferir os coelhinhos de marzipã que a naní fazia, mesmo que desejasse comê-los, me contentava com seu aroma. Eram perfeitos demais. Mas espero... Até hoje tenho esse mesmo medo, medo de me esfarelar sem ao menos ter sido saboreada.
Porque Edith Piaf também está na minha infância...
terça-feira, 4 de agosto de 2009
É ela?
"Quando cheguei a Roma pela primeira vez já não acreditava em Deus e tinha apenas a terra como único céu e único inferno. Mas não guardava más recordações do Deus pai dos anos da minha infância e em meu íntimo continuava ocupando um lugar profundo o Deus filho, o rebelde da Galiléia que desafiara a cidade imperial onde eu agora estava aterrisando naquele avião da Alitalia. Do Espírito Santo, confesso, pouco ou nada me restava: Apenas a vaga lembrança de uma pomba branca de asas abertas, que descia em picada e engravidava as virgens. Mal entrei no aeroporto de Roma, um grande cartaz me feriu os olhos: BANCO DO ESPÍRITO SANTO. Eu era muito jovem e fiquei impressionado ao descobrir que a pomba andava metida nisso." (Eduardo Galeano- De Pernas Pro Ar)
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Amor em mim

Digo que sim que estou atrapalhada e não quero a pretensão escolada de repetir uns versos assim, sem ao menos tocar umas notas... Mesmo desafinadas. Não fiz esse tema, não fui nessa aula, não pude sequer revisar o mal dito, não é meu motivo... Não importa.
Elas saem assim, em minutos, sem muita demora, não me descomporta. Não quero ser um poeta, dou a fonte, digo ao certo quem eu leio, quem me chama, quem encanto, sou concreta, ser humano, feito torre ou puro mar, tempestade? Não aporta.
Tenho em mãos a forca de carregar um fardo, não canetas, não palavras... São mãos desastradas que plantam jardins. Aprendi nessa jornada que o amor é quase nada, que se afoga -não se mata- se não pensas tanto assim; descobri que se não sou tão controlada, só me expondo sei de mim.
E se me falo, se me engano, se reajo, não me importa o resultado, tenho início, meio e fim. É por isso que eu sei quem vai comigo, quem me teme, com quem brigo, quem desanda, ou coisa assim. Mas tenha convicção, que a exemplo de minha certeza, falo alto, grito ao mundo, passo forte e com franqueza, ou te dizes ou me calo, pois minha peça tem um ato, e esse já teve fim.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Sem rosto

Se não te mostras, ao certo te receio, e, no entanto, mesmo e com despeito, te aceito, para não aprimorar o desengano.
Se não te julgas, tampouco me interessam teus anseios, apenas me enleio, e releio teus enganos, pois amarguras já bastam, às que carrego aqui no peito.
terça-feira, 28 de julho de 2009
A Inveja dos Bois

Não podemos negar que a teoria Darwiniana está mais presente do que nunca em nosso atual modelo civilizatório, não é privilégio atual, mas hoje ela se coloca mais aguda devido à expansão de nossas consciências e da tecnologia, ou seja, do saber. Sabemos que precisamos sobreviver.
É contraditório dizer que ainda somos animais dentro de uma cadeia alimentar, quando falamos em Sartre, Platão ou Woody Allen, mas a seleção natural também nos empurra massivamente a uma condição de auto-preservação instintiva, sem ao menos sabermos direito quem somos, de onde viemos, para onde vamos, ou se vamos. Não nos paralisamos, pelo menos não deveríamos, mas sentimos medo. E sentimos medo a muito tempo. Freud nos diz que efetuamos um tremendo esforço de energia psíquica para suportar o processo civilizatório, e para mantermo-nos inconscientes (menos pensantes) diante de suas demandas corrosivas, contrapondo a lógica da análise que ele mesmo propõe, ou, em último caso, se for sádico, nos remetendo a uma condição de eterno sofrimento, que vem indiscutivelmente condicionado ao saber.
Por esta (i)lógica humana, sobrevive quem melhor esquece, ou quem menos sabe, sobrevive no sentido de melhor vive. A ignorância nos traz um alívio, por não saber o que temer. Esta composição que nos é imposta -ter um cérebro ligado a um tubo digestivo- é que nos confronta com os nossos medos, nossos inimigos, medo primitivo de ser comido -no caso naturalista, orgânico- ou medos cognitivos, existenciais, pelo menos quando conseguimos nomeá-los. Jesus ao deparar-se com o diabo, perguntou-lhe o nome em primeiro lugar, diz a Bíblia.
Saber quais são as nossas limitações, ter consciência de quem somos e ao mesmo tempo não controlarmos nosso corpo, nossa carne, nossa perecividade e nossa condição animal é o maior desafio jamais existente para qualquer ser vivo neste planeta, e ao mesmo tempo o maior dilema para mantermo-nos à salvo, preservando nossa espécie no tempo e no universo. É por isso que se somos nada, somos tudo. Somos Deus em um corpo, justamente um corpo que nos desafia à maior experiência avassaladora para a transcendência, a experiência do não controle. Assim sendo, e lendo um trecho de um texto de Clarice Lispector, confirmo minha tese de que bois é que são felizes em sua vasta ignorância, sinto inveja dos bois, calmos, pastam no campo, suportam chuvas, andam em grupos, ricos em sua plenitude, plenitude única dos animais que conseguem coexistir e preservar sua organicidade com o cosmos, sem temê-lo.
“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: É uma lucidez vazia, como explicar? Assim como cálculo matemático perfeito, no qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio e nem entendo aquilo que entendo, pois estou infinitamente maior que eu mesma e não me alcanço. Além do que, o que faço com essa lucidez? Sei também que essa minha lucidez pode se tornar o inferno humano - já me aconteceu antes. Pois sei que -em termos de nossa acomodação diária e permanente acomodação resignada à irrealidade- essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me de novo a consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.” (Clarice L.)
sábado, 25 de julho de 2009
Um minuto de sua atenção...
A quem interessar possa:
Sem mais, atenciosamente, Fernanda.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
terça-feira, 21 de julho de 2009
Por que não quero falar de amor?

"Resolução"
Considerando nossa fraqueza os senhores forjaram
Suas leis, para nos escravizarem.
As leis não mais serão respeitadas
Considerando que não queremos mais ser escravos.
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e com canhões
Nós decidimos: de agora em diante
Temeremos mais a miséria do que a morte.
Considerando que ficaremos famintos
Se suportarmos que continuem nos roubando
Queremos deixar bem claro que são apenas vidraças
Que nos separam deste bom pão que nos falta.
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e canhões
Nós decidimos: de agora em diante
Temeremos mais a miséria que a morte.
Considerando que existem grandes mansões
Enquanto os senhores nos deixam sem teto
Nós decidimos: agora nelas nos instalaremos
Porque em nossos buracos não temos mais condições de ficar.
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e canhões
Nós decidimos: de agora em diante
Temeremos mais a miséria do que a morte.
Considerando que está sobrando carvão
Enquanto nós gelamos de frio por falta de carvão
Nós decidimos que vamos tomá-lo
Considerando que ele nos aquecerá
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e canhões
Nós decidimos: de agora em diante
Temeremos mais a miséria do que a morte.
Considerando que para os senhores não é possível
Nos pagarem um salário justo
Tomaremos nós mesmos as fábricas
Considerando que sem os senhores, tudo será melhor para nós.
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e canhões
Nós decidimos: de agora em diante
Temeremos mais a miséria que a morte.
Considerando que o que o governo nos promete sempre
Está muito longe de nos inspirar confiança
Nós decidimos tomar o poder
Para podermos levar uma vida melhor.
Considerando: vocês escutam os canhões
Outra linguagem não conseguem compreender -
Deveremos então, sim, isso valerá a pena
Apontar os canhões contra os senhores!
São Paulo Perspec. vol.13 no.3 São Paulo July/Sept. 1999
A Dança da Psiquê

INSPIRAÇÃO: ELE É PERFEITO!